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TELA EM BRANCO

  • Foto do escritor: Isabeli Nascimento
    Isabeli Nascimento
  • 29 de jul. de 2019
  • 2 min de leitura

Crédito: Freepik

Um piso plano e reflexivo em meio a temperaturas negativas, prestes a ganhar traços finos tornando-se uma grande tela de rabiscos, talhados por patins, formando a arte da perseverança sobre as quedas. Um símbolo da persistência de atletas e aspirantes do esporte que exige força e delicadeza. A patinação no gelo. Uma modalidade desprovida das posições mais altas na tabela de esportes mais comentados no meio televisivo e radiofônico. Por vezes, sendo citada apenas durante as Olimpíadas.


Nós brasileiros estamos mais adaptados a areia fina das regiões litorâneas devido ao clima tropical do país, por isso ao nos depararmos com as camadas brancas e fascinantes de neve, os olhos toldam-se de brilho imediatamente. Como pude ver pessoalmente neste sábado (08), em Snowland, um parque da neve localizado em Gramado (RS), o local é um dos pontos turísticos mais procurados da região sul do país, devido a ser um dos únicos quatro locais no Brasil que oferece a possibilidade dos visitantes patinares e esquiarem em temperaturas negativas, além de outras atrações como simulador de esqui 7D, decida da montanha de neve com bóia e o espetáculo Flokus.


Anita Mouro (54), era uma das ansiosas pessoas na fila de espera da patinação. Apesar de já ser a terceira vez que vêm ao lugar, ela ressalta que a sensação de frio no estômago é a mesma. E, enquanto coloca as cotoveleiras e joelheiras os olhos continuam fixos na pista de patinação, ansiosa por sua vez. Presente em nosso grupo encontram-se o filho, Breno (16) e o amigo Jorge (17), também pela terceira vez no local. Ambos parecem mais tranquilos que a mulher, mas basta os patins tocarem o pisto liso para as expressões denunciarem a empolgação e insegurança.


Na área de entrada, nos é entregue os acessórios de segurança (patins, capacete, luvas, cotoveleiras e joelheiras) e o instrutor ensina ao grupo algumas dicas sobre equilíbrio e queda. A mente enche-se de ideias e segurança de como irá soltar rápido as mãos das barras laterais e deslizar pela pista. Afinal, a ideia de andar sobre patins não parece tão incerta enquanto nossos passos são firmes e equilibrados, andando sobre o piso espumado. No entanto, basta entrar no rink de patinação e as certezas congelam junto com as pontas de nossos dedos.


Aprender patinação é como aprender a andar novamente. Parece que a gravidade decide não colaborar e o corpo parece teimoso diante de suas ordens para ficar ereto e seguir em frente. Mas, após tentativas de acertos e erros, as quedas valem a pena quando as mãos finalmente desencostam das barras, ainda que por apenas cinco segundos. A sensação é única, como conseguir flutuar com os pés no chão.


A patinação no gelo é uma metáfora para vida. Onde se trilha um longo caminho de tentativas, quedas e acertos, aos quais exigem paciência, prática e principalmente persistência. Daniel (20), trabalha a três meses no local e salienta o sonho de desenvolver-se nesta área esportiva. O jovem também conta sobre como além de diversão, a patinação pode trazer aprendizado e desenvolvimento pessoal para algumas pessoas.


Ao fim do dia a pista é limpa e volta a ser uma tela em branco, sem marcas, mas cheia de histórias e experiencias, pronta para novos rabiscos e aprendizados no dia seguinte.

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©2019 por Isabeli Nascimento. Orgulhosamente criado com Wix.com

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