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MIL PARTES DE SI

  • Foto do escritor: Isabeli Nascimento
    Isabeli Nascimento
  • 28 de jul. de 2019
  • 2 min de leitura

Crédito: Perfil Instagram @ArturBezerra

O sol surge devagar à leste, doando timidamente seu reflexo ao mar e raios solares ao chão de areias finas e incontáveis da praia. O relógio marca 6 da matina quando os pés de Arthur Bezerra afundam na maciez infinita de grãos, inspira fundo e começa a correr. Os passos aceleram como seus batimentos e cotidiano apressado. Irônico seria se as pessoas presentes ali na Praia Cabeçudas soubessem como a areia e o garoto são semelhantes. À distância, uma única coisa, mas com a proximidade, notasse as mil partes de si mesmo. Divididas de forma perfeita, mas completamente diferentes.


O garoto que nasceu em Imbuia e mora em Itajaí, passou a almejar aos poucos o desconhecido, aventurando-se em novas palavras e sabores, disposto a mostrar as pessoas o mesmo. Pessoas novas, cidades novas e sabores novos. Até por fim, pisar no jornalismo, onde descobriu mais uma parte de si, aquele em que conforme seus olhos alcançavam uma novidade, sua língua e dedos as transformavam em palavras informativas e educativas. A mesma parte ao qual dedicou horas de esforço para evoluir e alcançar o seu melhor.


Desde os quinze até os dezenove anos o garoto aprendeu a fazer do som, sem imagem, seu meio de comunicação, quando trabalhou em uma rádio local. No entanto, uma nova parte, a visual, exigiu de si um novo caminho, aquele em que pudesse passar também aos olhos, as informações através de reportagens. Fazendo dos vts, offs e externas uma nova parte de seu mudo.


Todavia, foi nesse mundo visual em que viveu dois dos momentos mais tocantes de sua vida. O primeiro, quando fez uma campanha para ajudar um jovem a conseguir medula óssea. Na época ele fez entrevista com a mãe do garoto, pouco tempo depois de entrar na faculdade. Por fim, conseguiram organizar algumas pessoas de Itajaí para ir até Blumenau com uma van para doar medula para ele. No entanto, o garoto de mil partes, contou com pesar sobre o fim trágico da história. Apesar de conseguirem efetuar a doação, o jovem garoto veio óbito.


Em meio a conversa, Arthur ainda lembrou-se de um segundo momento tocante para si. Ainda na época onde seu mundo de informações era apenas som. Em um natal, receberam diversas cartas de crianças e uma delas pediu algo simples, considerado direito básico humano. Comida na geladeira. As palavras tocaram pessoas além do nosso personagem principal. Juntos, as pessoas da rádio e ouvintes conseguiram recolher alimentos e brinquedos, entregues no natal ao escritor da carta e sua família.

“Se a gente souber ter sensibilidade para abordar todas as pautas, a gente consegue aprender alguma coisa.”


No entanto, como grãos de areia, que nunca persistem no mesmo lugar, o menino Arthur persiste em constante mudança, agora descobriu na culinária um novo hobby e modo de relaxar, mas amanhã ou talvez na semana que vem descubra uma nova parte de si.





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