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HOME RUN

  • Foto do escritor: Isabeli Nascimento
    Isabeli Nascimento
  • 29 de jul. de 2019
  • 2 min de leitura

Photo by Ben Hershey on Unsplash

Seus olhos vão e vêm do campo para arquibancada procurando o pai. A maioria da população brasileira é fanática por futebol, mas o amor da sua vida não. Aquela pessoa carregara pela vida inteira a paixão pelo baseboll nas veias e após anos tentando, finalmente entraria em campo hoje. O conhecido som indicando o início do jogo toca e você estica-se na arquibancada, tentando ver melhor os rostos semicobertos pelos capacetes verdes militar do time estadual. Inicialmente não há nenhum sinal da pessoa que procura e tão logo começam a movimentar-se fica ainda mais difícil o reconhecimento no mar de rostos.


O arremessador move o braço em movimentos circulares e hipnotizantes, como um relógio, ao qual nos tornamos servos, controlando nossa vida através de números de um objeto. A bola é lançada e o rebatedor acerta-a, a mandando com força para o outro lado do estádio lotado, com um sorriso traquino formando-se em seus lábios. Como se houvesse acabado de libertar -se de algo. Então você reconhece aquela pessoa. É a sua pessoa!


Você levanta e acena freneticamente, querendo que ela veja você ali. Grita seu nome para que saiba que tem alguém em meio a multidão de rostos desconhecido que veio em seu apoio. Para que ela tenha a mesma certeza no campo, que você tem na vida. A certeza de que não está sozinha.


O bastão é solto de suas mãos enquanto os pés ganhavam vida sobre a linha, atravessando as bases. Uma lágrima escapa de seus olhos ao ver a cena. Como se cada base fosse um desafio da vida.

O primeiro coração partido, o choro em seu colo durante a madrugada, o acariciar de cabelo dizendo que tudo ficaria bem.


A primeira base é alcançada


A dor mútua de perder seu companheiro de campo. Uma das pessoas que amava. O sentimento corrosivo de que sem ele, seria difícil respirar pelo resto da vida.


A segunda base foi alcançada


A descoberta que em certo momento a dor se torna saudade e é possível seguir em frente e ainda assim lembrar dela.


A terceira base foi alcançada


Todos os preconceitos sofridos. O bullying. O distanciamento de todos.


Ela corre.


A angústia. A depressão.


Parece que não vai conseguir alcançar a quarta base a tempo.


O medo. A insegurança. A dor.


O número dois acaba de se jogar em uma última tentativa de levar os pontos, e...


O encarar da realidade.


...Home Run!


Vence. Supera tudo e a todos, assim como fez na vida.


Seu pai senta-se ao seu lado, passando o braço a sua volta com um sorriso de orgulho.


— Por que está chorando?


— Orgulho da mamãe.


No campo, o amor da sua vida, sua mãe, retira o capacete e igualmente com lágrimas escorrendo pela face, aponta para vocês dois.

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©2019 por Isabeli Nascimento. Orgulhosamente criado com Wix.com

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